MACACO NO DIVÃ – PSICOPATIA (SOCIOPATIA): NADA DE FICÇÃO, É REAL E ESTÁ PERTO DE NÓS

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Retornando com a coluna de nosso conhecido psicólogo do Macaco no Divã, ele traz um interessante tema, a psicopatia. Confiram a coluna totalmente repaginada do nosso psicólogo de plantão, Luis Picazio Neto.

A psicopatia é um mal que sempre esteve e sempre estará perto de nós. Os psicopatas nascem dessa forma e possuem uma mente distanciada dos outros seres humanos. Digamos que é um funcionamento diferente, que jamais será como o nosso.

Os psicopatas não sentem compaixão, podem sim demonstrar choro, medo, mas sempre como um artifício de suas manipulações e de suas mentes doentias. Porém, ao contrário do que muitos imaginam, é a sua minoria que se transforma em um assassino ou um serial killer, apenas 4 %. Muitos psicopatas estão em nossa sociedade, convivendo, trabalhando, namorando, casando e chefiando cargos importantes.

A origem da palavra psicopatia vem de psico, que quer dizer mente, e pathos, que quer dizer doença, ou seja, “doença da mente”. Mas neste caso, totalmente diferente do que chamamos hoje de doente mental, que sofre com seus delírios, perseguições ou, muitas vezes, perde o controle de seus atos e atitudes. O psicopata ou sociopata não tem nada a ver com o psicótico que, embora sofra de transtornos mentais, se arrepende e é capaz de sentir emoções, culpa ou arrependimento.

O psicopata sabe exatamente o que faz e porque o esta fazendo. Porém, não se arrepende e não demonstra sofrimento com seu ato. A psicopatia é um transtorno de personalidade no qual existe um excesso da razão (mesmo que doente), mas uma falta imensa de emoção. Outro aspecto importante dessa patologia é a falta de empatia, ou seja, ele não consegue se colocar no lugar do outro, de sentir ou imaginar como o outro se sente ou que esse sofrerá com suas atitudes.

São características das pessoas que sofrem dessa patologia as mentiras compulsivas, uso muitas vezes de álcool e drogas associadas, dificuldades desde pequenos em aceitar regras e normas, baixíssima tolerância à frustração, impulsividades, dificuldades em manter-se em empregos ou preservar amizades, sexualidade exacerbada, preocupação excessiva com sua vida e seus interesses e altamente sedutores.

Diversas pesquisas são realizadas em todo o mundo, mais especificamente sobre o sistema límbico (um centro no cérebro responsável pelas emoções). Em 2000, dois brasileiros, o neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll, descobriram a prova definitiva dessa diferença da mente psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa. Nos psicopatas, não há diferença. O sistema límbico dessas pessoas não funciona. O pôr do sol ou uma criança sendo espancada geram as mesmas reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam de nervoso. Por isso passam tranqüilamente num detector de mentiras.

Segundo pesquisas americanas, 4 entre 100 pessoas nascem com esta disfunção, sendo mais prevalentes em homens do que em mulheres.

Pessoas agressivas, manipuladoras, que mentem demais e falam muito de si, como se eles fossem a coisa mais importante do mundo, uma vez que o outro para eles quase não existe, e se existe é apenas como parte de sua doença, seus planos e necessidades. Muitos chegam a cargos de chefias ou lideranças exatamente para poder exercer sua pressão e, muitas vezes, assédio moral sobre seus subordinados. Muitos batem em mulheres ou filhos, continuamente, muitas vezes levando à morte.

Como falei anteriormente, eles não sentem remorso, compaixão, pena, arrependimento, mas cognitivamente sabem muito bem expressar tudo isto se necessário, para tentar mostrar que possuem esses sentimentos. Por isso, são grandes atores na vida real, muitas vezes se passando por vítimas. Em geral, em um relacionamento afetivo, é muito comum que façam com que o outro pense que ele está doente, que ele precisa de remédios ou tratamentos, conseguindo muitas vezes desestruturar e levar uma pessoa à depressão grave, ansiedade e ao isolamento.

Como já disse, nem todos os psicopatas são assassinos, existem os assassinos ocasionais ou passionais, que jamais voltariam a cometer tal crime, fizeram em um momento isolado e por um motivo isolado. Bem diferente de ter nascido desta forma e com este funcionamento prejudicado. A psicopatia não tem cura. Muitos psicopatas não se tornam assassinos, mas passam toda uma vida prejudicando pessoas ingênuas, crédulas e muitas vezes com sérios prejuízos morais e financeiros.

É muito comum vermos pessoas usando nome de outras em bancos, empréstimos, se apossando de bens como casas, imóveis, empresas, enfim, ocasionando danos irreversíveis. Para estas pessoas não existem seres humanos, existem posses, domínio, relações de interesses, e como dissemos, sem nenhum prejuízo emocional ou arrependimento.

Temos diversos casos no Brasil, como o de Suzane Richthofen, o maníaco do parque, entre tantos outros. Ao contrário do que muita gente imagina, o psicótico não se mostra apenas na fase adulta, mas muitas vezes desde a infância ou adolescência como, por exemplo, não sentir culpa e nem remorso ao colocar um passarinho no microondas, ou matar um animal com as próprias mãos para ver o sangue ou as vísceras, deixar colegas serem culpados na escola por coisas que não cometeram, utilizando de mentiras e manipulações, judiar sempre de forma dissimulada de irmãos ou parentes. Porém, este diagnóstico  é muito sério e só pode ser realizado por profissionais capacitados da saúde mental e exige tempo, técnicas e testes apropriados. Muitas vezes existem patologias associadas, pois a mente é algo muito complexo, e assim, como muitas patologias, existem as graduações de leve, moderados, e graves. Somente um bom profissional pode e deve fazer estas avaliações e diagnósticos.

Dr. Luis Picazio Neto* Luis Picazio Neto – professor na PUC-SP, é psicólogo especialista em Medicina Comportamental pela Epm-Unifesp, psicólogo da ONG “ADUS – Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil”, especialista em Terapia Cognitivo-comportamental. É Personal Life Coaching e especialista no atedimento em situações de tragédia.

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10 comentários sobre “MACACO NO DIVÃ – PSICOPATIA (SOCIOPATIA): NADA DE FICÇÃO, É REAL E ESTÁ PERTO DE NÓS

  1. Caro Luis, Muito oportuno o tema que você abordou.
    O blog é uma forma excelente de acompanharmos sua reflexões e aprendermos.
    Um abraço e obrigada.
    Eny

  2. Luis,sou sua fã,desde antes de vc nascer.O blog está ótimo e extremamente elucidativo.
    Parabéns, beijos da mama…Wilma.

    1. Ser filho de uma pessoa especial, uma mãe pianista, pedagoga e psicóloga ,e um ser humano ímpar,contribuiu muito para que hoje eu pudesse realizar estes trabalhos , pois aprendi desde pequeno valores imutáveis como caráter, ética, moral e fazer a diferença em tudo que realizamos, logo só tenho a agradecer, ter o privilégio de ser seu filho…bjs Luis

    1. Grande amigo ,e grande ator Paulo Hesse
      Obrigado por prestigiar nosso Blog e minha coluna em especia…
      Super abraço Luis Picazio

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