Kony: um vilão conveniente.

Quem é Kony?Da semana passada para cá, o vídeo “Kony 2012” que mostra argumentos contra Joseph Kony, número 1 na lista de criminosos de guerra procurados de Uganda e líder o Lord’s Resistance Army (Exército de Resistência do Senhor), se tornou um viral em escala mundial. A produção da ONG americana “Invisible Children” levou muitos famosos como a apresentadora e ativista Oprah Winfrey e o vocalista do U2 Bono Vox a atuarem na divulgação da causa da instituição. Mas como saber as verdadeiras intenções da Invisible Children? Como saber quem é o verdadeiro vilão dessa história? Há apenas um vilão?

O documentário tem como plano de fundo, basicamente, no fato de que Kony, líder do LRA (sigla em inglês para Exército de Resistência do Senhor), deve pagar pelas graves violações aos direitos humanos que cometeu em Uganda, transformando crianças em verdadeiros soldados de guerra. Para tal, a organização “não governamental” providenciou um “kit de ação” contra Kony. Mas não adianta correr para comprar, todos os produtos comercializados pela ONG contra o guerrilheiro já se esgotaram (recorde de vendas). Apenas como observação, o fundador da Invisible Children, Jason Russel, 33, afirmou: “Somos uma organização pouco ortodoxa. Trabalhamos fora dos padrões tradicionais da caridade e das instituições sem fins lucrativos”. Repetindo: “sem fins lucrativos”.

Kit de ação contra Kony

Especialistas avaliam que a organização americana estaria utilizando do vídeo para a arrecadação de uma grande verba, da qual apenas uma pequena parcela seria destinada à “causa” do grupo. Um desses especialistas que desconfiam da idoneidade da instituição é o sociólogo e estudante de ciência política da Universidade Acádia na Nova Escócia, Grant Oyston, que afirma que apenas no ano passado a organização gastou mais de US$ 8 milhões e apenas 32% foi para o país africano. Os outros 68%, segundo Grant, teriam sido utilizados para bancar salários, viagens, transportes e produções cinematográficas.

Muitas teorias apontam para o fato dos fundadores da Invisible Children aparecerem em fotos, posando com fuzis, ao lado de membros do Exército Popular de Libertação do Sudão, inimigo do LRA. Outro fato importante a ser observado é que esse conflito já existia no país, mas a organização escolheu justamente esta época, poucos meses após Obama ter enviado tropas à Uganda e o país ter sido considerado um dos 50 maiores produtores de petróleo do mundo, para trazer essa história aos internautas do mundo inteiro.

Não estou defendendo Kony por seus crimes desumanos, e sim tentando entender a real motivação e os verdadeiros objetivos de uma organização americana como a Invisible Children dentro de Uganda. Entender o seu lucro e o porquê de seu faturamento não ir totalmente para suas ações, já que deveria ser uma organização sem fins lucrativos. Precisamos entender, compreender todos os fatores, conhecer o que está por trás das grandes motivações. O que não entendo é a necessidade de transformar Kony, o “vilão da história” em um hit, um “popstar” das mídias mundiais, criar botons, camisetas e diversos outros produtos com a marca “Kony 2012”. Lembra muito a época em que a Nike fabricava e comercializava pulseiras em favor da paz, contra o preconceito e o desrespeito com o próximo (enquanto utilizava trabalho escravo para a produção de seus tênis). Transformar a causa em uma fonte comercial lucrativa não agradou nem mesmo às próprias vítimas do líder da LRA.

Sobre o fundador da ONG Invisible Children, Jason Russel

Na última sexta-feira, 17, Russel foi preso em San Diego. Segundo a NBC San Diego, o fundador da ONG americana foi detido por se masturbar em público e por depredar carros.

Celebridades apoiando a ação da Invisible Children

Bono Vox, vocalista do U2, na ÁfricaEnquanto isso, celebridades como Bono, do U2, transformam Russel em um diretor digno de ganhar o Oscar por sua produção contra Kony.O público já sabe sobre Kony e suas atrocidades mais desprezíveis, também sabem o que uma enorme gama de especialistas pensam sobre isso, mesmo que alguns não concordem. Essa estratégia gera um interesse que se direciona a soluções significativas, duradouras e de propriedade, e dirigido pelo povo da região em sua jornada a partir do trauma dessas atrocidades no sentido da estabilidade e desenvolvimento. Existe um Oscar por esse tipo de direção? Jason Russell merece”, exaltou o vocalista da banda irlandesa.

É necessário que analisemos muito bem as verdadeiras intenções da Invisible Children e que possamos compreender o que está por trás do vídeo que se tornou um viral na Internet e gerou polêmica entre internautas do mundo inteiro. Precisamos descobrir onde está o vilão dessa história antes de se basear apenas no que seu ídolo popstar diz ser verdade.

O vídeo: Assista agora o vídeo “Kony 2012” que gerou tanta polêmica e tire suas próprias conclusões.

 
Leia também: Artigo de Shaun Connell, Jason Hughey e Samuel Paul sobre a verdade por trás do vídeo “Kony 2012”.
 
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Um comentário sobre “Kony: um vilão conveniente.

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